Novidades

Habacuque: O Profeta da Fé em Meio as Crises





O profeta Habacuque, cujo nome significa abraço, profetizou para a nação de Judá em aproximadamente 607 a.C. e foi contemporâneo de Jeremias.
            O livro começa com a expressão: “Peso que viu o profeta Habacuque” (Hc 1.1). A expressão “peso” se refere ao terrível juízo que o profeta viu sobre a nação de Judá. O profeta Habacuque, foi um profeta que tomou um caminho totalmente diferente de seu Contemporâneo Jeremias e de todos os demais profetas. Enquanto os profetas questionavam a espiritualidade das nações as quais eram direcionados, Habacuque questionou a ação de Deus em aparentemente não estar se interessado em resolver a situação de injustiça praticada pela nação judaica. É seguindo o entendimento de que Deus se mostrava apático quanto a situação da nação que Habacuque exclama: “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritarei: Violência! E não salvarás? Por que razão me fazes ver a iniqüidade e ver a vexação? Porque a destruição e a violência estão diante de mim; há também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a sentença nunca sai; porque o ímpio cerca o justo, e sai o juízo pervertido. (Hc 1.3-4).
            O mensageiro do Senhor informou que a situação da nação era tão deplorável que os casos que chegavam aos tribunais não eram resolvidos de acordo com a justiça e sim de acordo com a situação financeira dos envolvidos. Observe o que diz o profeta: Por esta causa, a lei se afrouxa, e a sentença nunca sai; porque o ímpio cerca o justo, e sai o juízo pervertido. (Hc. 1.4). A lei operava com uma morosidade imensa e sempre quando o resultado (a sentença) saía, era favorável ao ímpio. A resposta divina em face a queixa do profeta foi que enviaria os caldeus, como vara de correção sobre a nação. “Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas não suas. Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua grandeza. Os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos e mais perspicazes do que os lobos à tarde; os seus cavaleiros espalham-se por toda parte; sim, os seus cavaleiros virão de longe, voarão como águias que se apressam à comida. Eles todos virão com violência; o seu rosto buscará o oriente, e eles congregarão os cativos como areia. E escarnecerão dos reis e dos príncipes farão zombarias; eles se rirão de todas as fortalezas, porque, amontoando terra, as tomarão. Então, passarão como um vento, e pisarão, e se farão culpados, atribuindo este poder ao seu deus. (Hc. 1.6-11). Ao ser atendido por Deus, o profeta, se surpreende com a maneira pela qual o soberano decide atuar sobre a nação. 
A surpresa e consequente dificuldade em entender a metodologia divina residiam no fato de que segundo o arauto do Senhor, a nação Babilônica era uma nação muito mais pecadora do que a nação de Judá, o que parecia na mente do profeta uma contradição divina. Observe o que ele diz sobre isto: “Não és tu desde sempre, ó SENHOR, meu Deus, meu Santo? Nós não morreremos. Ó SENHOR, para juízo o puseste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar. Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a vexação não podes contemplar; por que, pois, olhas para os que procedem aleivosamente e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?  E farias os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe?” (Hc. 1.11-14).
          Babilônia, a vara da correção divina, ara uma nação que estava totalmente mergulhada em diversos tipos de pecados, tais como: a) Abuso de Poder. Não levantarão, pois, todos estes contra ele uma parábola e um dito agudo contra ele, dizendo: Ai daquele que multiplica o que não é seu ( até quando! ) e daquele que se carrega a si mesmo de dívidas! Não se levantarão de repente os que te hão de morder? E não despertarão os que te hão de abalar? E não lhes servirás tu de despojo? (Hc. 2.6,7). O profeta informou que os babilônicos não tinham nenhum receio de lançar mãos contra aquilo que não lhes pertenciam, pelo simples orgulho de se sentirem superiores aos outros povos. b) Acúmulo de bens. “Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar da mão do mal!” (Hc. 2.9).  A Babilônia se enriqueceu poderosamente as custas das nações conquistas por eles. c) Violência e Carnificina. Ai daquele que edifica a cidade com sangue e que funda a cidade com iniquidade!” (Hc. 2.11). A grande Babilônia, a cabeça de ouro da visão de Nabucodonosor e onde estava situada uma das sete maravilhas do mundo antigo (os jardins suspensos); foi construída com o derramamento do sangue inocente e com os saques feitos as cidades e nações que eram por eles conquistadas. d) Alcoolismo. Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro! Tu, que lhe chegas o teu odre e o embebedas, para ver a sua nudez, serás farto de ignomínia em lugar de honra; bebe tu também e sê como um incircunciso; o cálice da mão direita do SENHOR se voltará sobre ti, e vômito ignominioso cairá sobre a tua glória. Porque a violência cometida contra o Líbano te cobrirá, e a destruição dos animais ferozes os assombrará, por causa do sangue dos homens, e da violência para com a terra, a cidade e todos os seus moradores. (Hc. 2.15-17). O prazer dos babilônicos pela embriaguez era tão intenso, que um dos episódios mais marcantes do livro de Daniel na sua estadia na Babilônia foi o da grande festa oferecida por Belssazar a mil dos seus grandes, os servindo com as taças de ouros levado de Jerusalém na época da invasão de Judá.
Diante de todos estes pecados listados acima, o profeta manteve em seu coração a dificuldade em entender porque Deus permitiria uma nação ímpia destruir a sua nação e subjugar o seu povo. O Todo-poderoso, numa clara demonstração de que é um Deus relacional, diferente daquele mostrado pelo Deísmo Alemão, e pelo Ateísmo Francês, acolheu o questionamento do seu porta-voz, lhe dizendo que a fé é a nossa sustentação,  quando não somos capazes de entender os propósitos soberanos; veja o que o Soberano diz ao profeta: “Eis que a sua alma se incha, não é reta nele; mas o justo, pela sua fé, viverá” Hc.2.4. O texto é um consolo divino, e ao mesmo tempo uma exortação de que os nossos questionamentos partem muito mais da nossa falta de fé e da nossa falta retidão, do que da nossa comunhão com o Todo-poderoso. A despeito da exortação divina, o Eterno informa ao seu mensageiro que a nação opressora, teria a sua devida punição no tempo determinado, conforme o relato do capítulo 2 versículo 16 “serás farto de ignomínia em lugar de honra; bebe tu também e sê como um incircunciso; o cálice da mão direita do SENHOR se voltará sobre ti, e vômito ignominioso cairá sobre a tua glória”. A informação divina dada ao profeta de que a mão direita do Senhor seria estendida sobre a Babilônia, se cumpriu literalmente em 539 a.C., quando o reino da Média aliado ao reino da Pérsia, invadiram a Babilônia, derrotando completamente o seu exercito.
Ao ser informado de toda a situação da nação judaica e sobre o fim do reino babilônico, e sem querer aceitar a dor da completa destruição que se abateria sobre a nação pela mãos dos caldeus, o profeta exclama: “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no SENHOR, exultarei no Deus da minha salvação.  JEOVÁ, o Senhor, é minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. ( Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos de música. )” (Hc.3.17-19). O profeta Habacuque aprendeu que nós não podemos basear a nossa fé naquilo que Deus faz em nosso favor, mais sim naquilo que Ele realmente é. Podemos observar também que as crises promoveram uma comunhão mais estreita com entre este  profeta o Todo-poderoso. O escritor Leonardo Boff, escreveu uma obra intitulada: “Crise, uma oportunidade de Crescimento”. É nos momentos de crises que mais tiramos lições de aprendizado para as nossas vidas. As crises se mostram pedagógicas em muitas ocasiões de nossas existência. A informação divina de que o justo viverá pela fé foi o grande palco da teologia Paulina, sobre a doutrina da justificação. O escritor aos Hebreus, também faz coro com o profeta Habacuque quando diz que em fé é impossível agradar a Deus.
 Grandes nomes da história da Igreja foram impactados pelo principio de que o justo vive pela fé. Martinho Lutero começou o movimento reformador com a descoberta da justificação pela fé. Por fim é necessário dizer que a fé é o caminho mais eficaz para a nossa comunhão com o Senhor. Que o Senhor nos ajude a desenvolver uma vida de fé e comunhão com o Todo-poderoso, para que desfrutemos o rico consolo em meio as crises que vier abater sobre nós.

Assista o Vídeo:


As informações deste texto na são extraídas do livro SUANA, Samuel. Profetas Menores. Equilibrio entre a Justiça e a Misericória. Pindamonhangaba-SP, IBAD, 2007
 
Author Image

Sobre Ev. Adair Ferreira
Adair Ferreira é casado com Alessandra Francisca. Fez seu bacharelado em Teologia no IBAD em Pindamonhangaba-SP e convalidou seu diploma pela Faculdade Boas Novas de Manaus - FBN. Lecionou na ETEJOVIS em Aimorés-MG de 2006 a 2010. Evangelista da Igreja Assembleia de Deus em Pancas e atualmente professor da Escola Bíblica Dominical. Leciona no Núcleo 057 de Teologia a Distancia do IBAD em Pancas, mas sobre tudo a sua maior posição é de Servo de Deus, a quem abnegadamente serve e ama.

Nenhum comentário

Obrigador por nos deixar uma mensagem!